Cidades Responsivas, um passo além da inteligência – Parte 01

Temos visto em inúmeros artigos anteriores que as cidades inteligentes deixaram de ser um conceito utópico, e têm sido a meta de muitos gestores públicos ao redor do mundo.

A partir de agora veremos por que este objetivo está cada vez mais visado, e como ao alcançá-lo obteremos uma cidade mais receptiva.

Photo by Omar Prestwich on Unsplash

O termo “responsivo” me apareceu pela primeira vez quando estava atualizando meus conhecimentos da linguagem de marcação html (apreendido no final da década de 90). Era o html5, uma grande atualização da linguagem que trazia dentre várias funcionalidades, a possibilidade de criar sites responsivos.

Isso para quem desenvolveu para web nos primórdios significou um avanço e redução de tempo de desenvolvimento! (leia-se trabalho) pois possibilitou a criação de páginas que poderiam ser visualizadas em qualquer dispositivo, com qualquer resolução de tela, escrevendo um único código.

Em outras  palavras, a tecnologia permitiu que algo que era estático se ajustasse ao contexto, melhorando a vida não só dos desenvolvedores ( como visto acima), mas dos usuários que passaram a dispor de páginas ajustadas e navegáveis em qualquer contexto, mantendo a qualidade, e com maior performance.

Outrossim, você caro leitor poderá me questionar: O que isso tem à ver com as cidades?

Bom tudo! Embora seja um organismo dinâmico e vivo, as cidades são compostas por inúmeras redes de infraestruturas estatísticas. E mesmo com a proposta das smart cities, estamos ainda fazendo medições nestas redes que nos auxiliam entender seu comportamento e mensurar sua eficiência. 

Mas e se eu lhe disser, estimado leitor, que podemos esperar mais de nossas cidades; que por meio da tecnologia já existe (sobretudo o 5G ), podemos dispor de redes de infraestrutura que funcionam on demand, em real time, atendendo as necessidades do usuário de maneira instantânea?

Parece bom não é mesmo? como exemplo, podemos citar os sentidos de vias que ajustam-se de acordo com a intensidade de tráfego; redes de adutores de águas pluviais que direcionam o fluxo para determinadas bacias de contenção de cheias; ou ainda um sistema de transporte público que não dê apenas o recurso da integração como um benefício econômico, mas que possibilite ao usuário deslocar-se no menor tempo, percorrendo nas menores distâncias.

Entendemos que ao chegar neste nível, teremos uma cidade menos agressiva, que adequa seus serviços às necessidades de seus cidadãos, ou seja, é uma cidade que ajusta-se ao usuário, como as novas páginas web desenvolvidas em html5 que falamos acima! então teremos uma cidade responsiva.

Leitura Recomendada 

Texto do Instituto de Tecnologia de Zurique (ETH) sobre cidades responsivas:

https://fcl.ethz.ch/research/responsive-cities.html

O que vem por aí 

Após entendermos o conceito das cidades responsivas, veremos no texto como alcançar esse nível de cidade, a partir das cidades inteligentes.

Até lá;)

Everton Teles
Arquiteto e Urbanista, reconhece a cidade como a maior invenção humana, e, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, acredita que a tecnologia pode trazer a sustentabilidade tão buscada.