Gêmeos Digitais, uma estratégia de experimentação das smart cities.

Uma cidade inteligente, de acordo com seu conceito já visto neste post, precisa de uma gestão eficiente e ferramentas que dêm subsídios para seu planejamento.

Com isso veremos agora o conceito de gêmeos digitais, que traz uma nova perspectiva para o planejamento e a gestão das cidades.

Photo by Valentino Funghi on Unsplash Adaptada

Uma estratégia que já vem sendo utilizada pela indústria, com o objetivo de otimizar recursos e reduzir custos, é o uso de gêmeos digitais.

Mas, o que são gêmeos digitais?

De uma maneira muito sucinta, podemos definir os gêmeos digitais como objetos desenvolvidos no espectro virtual que buscam se comportar de maneira idêntica ao seu irmão no mundo real.

Este modelo virtual é alimentado com informações que simulam a mesma ambiência da realidade, permitindo que se estude como irá se comportar o gêmeo físico sem a onerar custos com prototipagem ou recall.

E as Cidades Inteligentes onde entram?

O conceito de gêmeos digitais tem sido olhado com muita atenção pelos gestores e planejadores urbanos, pois o modelo (irmão digital da cidade) combina a modelagem espacial do ambiente urbano com informações geofísicas; aprendizado de máquina (machine learning); big data; sensores fornecendo informações em tempo real vindas de plataformas IoT; além da utilização de técnicas de análise sistêmica oriunda do estudo da ciência da complexidade.

Todo este arcabouço digital vai permitir a modelagem de riscos, evitando tragédias urbanas tais quais : inundações; enchentes; incêndios e etc. Além da gestão do caos urbano como trânsito; as ocupações irregulares; manutenção em sistemas de drenagem e condução pluvial; coleta de resíduos dentre outros.

Com a população mundial urbano e em pleno crescimento (previsão de no mínimo dobrar até 2050), ter instrumentos que possam simular os impactos da expansão ou mesmo criação de novas cidades é imprescindível.

Alguns obstáculos…

Entretanto, embora a tecnologia existente já possibilite a implementação de um gêmeo digital de uma cidade; há alguns desafios a serem vencidos.

A famosa consultoria de tecnologia Gartner aponta que o investimento ainda é muito alto para o retorno esperado, o que pode inibir o empreendimento. Mas sobretudo, a preocupação com a privacidade dos cidadãos e seus dados particulares ainda é um fantasma que assombra quando o assunto é mundo digital.

Veja o video abaixo:

Cases

No Brasil, um caso de estudo (de proporções reduzidas) está sendo implementado pela Infraero, que irá reproduzir um gêmeo digital do Aeroporto de Londrina, no Paraná.

A iniciativa consiste da criação de um modelo paramétrico em 3D do Aeroporto, interligado a uma base de dados com informações das infraestruturas subterrânea , terrestres e aéreas do Complexo.

O modelo será composto dos seguintes elementos:

  • 20 Edificações;
  • Pista de decolagem e Aterrissagem;
  • 2 Estacionamentos para Aeronaves;
  • Pistas de Taxiamento;
  • Acessos;

A Infraero busca na gestão via gêmeo digital de seus ativos, aprimorar e tornar eficaz as ações de manutenção; estabelecer um repositório de informações que permita a melhorar o desempenho na troca de dados.

A tecnologia de software implementada é da Bentley, que permitiu a modelagem do Aeroporto inteiramente por nuvem de Pontos.

O Aeroporto de Londrina é um case pioneiro de implementação do gêmeo digital como suporte à inteligência empresarial. Tem apresentado resultados muito satisfatórios, tornando-se referência à outros gestores Aeroportuários da região por promover uma infraestrutura segura e com qualidade.

Leitura Recomendada 

Gartner – Gêmeos Digitais.

Infraero e TI

Bentley – Tecnologia para gêmeos digitais.

O que vem por?

As cidades inteligentes são objetos de boa parte de gestores urbanos no mundo, e muitas caminham pra isso. Mas após atingir este nível o que podemos esperar das cidades? Nos próximos dois artigos falaremos mais sobre as cidades responsivas!

Até lá! 🙂

Everton Teles
Arquiteto e Urbanista, reconhece a cidade como a maior invenção humana, e, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, acredita que a tecnologia pode trazer a sustentabilidade tão buscada.