Entendendo um Arquivo .ifc, Parte II

Estamos estudando a estrutura dos arquivos IFC e vimos no texto anterior como ele organiza-se em blocos de informações, e vimos em especial o bloco HEADER.

Neste texto vamos abordar o bloco DATA, que é onde ficam os dados do projeto.

Para entendermos a seção DATA (e o arquivo IFC de maneira geral), há de se compreender dois conceitos importantes da tecnologia da informação, que são entidade e instância:

Entidades:

“ Entidade é algo, concreto ou abstrato, incluindo associações entre entidades, abstraídos do mundo real e modelado em forma de tabela que guardarão informações no banco de dados.” Wikipedia, 2019.

Uma entidade abstrata geralmente é expressa por um verbo, por exemplo: comprar.

A entidade comprar armazena vários atributos que podem ser tabelados, como: objeto comprado, vendedor, preço, tipo de pagamento e etc.

Entidades concretas seriam todas as coisas que nos cercam, dotadas de atributos físicos, objetos, pessoas, natureza e etc., que também possuem atributos passíveis de serem modelados.

Uma entidade é uma generalização do tema a ser abordado, é a maneira de nós falarmos ao computador como ele vai entender e lidar com aquele tema. No âmbito da tecnologia da informação, também podemos nos referir a entidades como classes.

Instâncias

Se as entidades são uma generalização do assunto,, uma instância é o elemento em si registrado nos moldes daquela entidade, ou seja, obedecendo seus atributos e comportamento. No âmbito da TI, também chamamos uma instância de objetos.

Arquivo IFC – Seção DATA

Neste nosso caso (IFC), o banco de dados é o próprio arquivo texto, e o formato da modelagem da entidade não é uma tabela, mas um formato próprio que veremos adiante.

Dentro do bloco DATA, delimitado pelas linhas DATA; e ENDSEC;, as entidades organizam-se em grupos ou Módulos. Estes módulos agregam entidades que detêm informações que contribuem para uma mesma finalidade, vamos a eles:

  • O primeiro módulo trata de informações relacionadas com o usuário, a aplicação que gerou o IFC.
  • O segundo módulo carrega informações dos pontos cartesianos e das direções, Aqui é identificado o ponto de origem e as direções dos eixos (dados por vetores), que servirão para orientação dos objetos futuramente.
  • O terceiro módulo traz a informação inerente às unidades do projeto, elas se aplicam a todos os objetos do arquivo, e representam unidades de comprimento, área, volume, força, ângulo e etc.
  • No quarto módulo, é apresentado as informações do projeto em si, este módulo é representado por uma entidade (classe) fundamental que sempre fará parte de um arquivo IFC: IfcProject. Esta entidade será a raiz de todos os outros elementos do projeto, porém não indica apenas um projeto de construção, mas pode indicar um projeto de engenharia, manutenção predial, coordenação de atividades e etc.
  • A sequência de informações que aparecerão no arquivo são inerentes ao projeto, tais como:
    • Localização.
    • Representação Geométrica.
    • Elementos Estruturais 
    • Elementos Arquitetônicos.
    • Materiais e propriedades.
    • Modelo de Análise Estrutural.
    • Cargas Estruturais.

Cada um destes itens acima agrupa uma série de classes IFC, que veremos em minúcia nos próximos artigos.

Outro aspecto geral que é importante salientar acerca da seção DATA, é que cada instância de classe listada recebe um identificador numérico, representado por um número inteiro após o caractere #.

Literatura Recomendada 

Este artigo e o próximo são frutos do conhecimento adquirido por meio da documentação do biildingSMART, disponível neste link, e também da dissertação de mestrado de: PINHO, Sérgio M. F.; com o título de “O MODELO IFC COMO AGENTE DE INTEROPERABILIDADE Aplicação ao domínio das estruturas”, do programa de mestrado da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, disponível aqui.

O que vem por aí?

Como vimos, as entidades são representadas (ou instanciadas), de uma maneira particular no IFC. Embora não seja uma tabela, ela apresenta uma forma estruturada que permita nosso entendimento e a leitura por sistemas computacionais, e será esta estrutura que veremos no próximo texto.

Até lá;)

Everton Teles
Arquiteto e Urbanista, reconhece a cidade como a maior invenção humana, e, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, acredita que a tecnologia pode trazer a sustentabilidade tão buscada.