Veja como foi criado o VectorWorks.

A Tecnologia BIM tem se expandido, e na área de projetos de arquitetura alguns softwares despontaram no Brasil. Vimos neste artigo sobre o ARCHICAD, e aqui sobre o Revit, e agora veremos como surgiu o VectorWorks, muito utilizado em escritórios de arquitetura.

Photo by Isis França on Unsplash

A década de 1980 é o berço dos softwares CAD voltados à construção civil, vimos isso nesse artigo sobre o ARCHICAD, e também nesse sobre o Revit.

A seguir veremos o surgimento de outro software muito utilizado, e de excelente qualidade gráfica: VectorWorks.

MiniCAD, o embrião da Diehl Graphsoft.

Em 1985 o cientista de computação Richard Diehl cria a Diehl Graphsoft, e intenta criar um primeiro programa gráfico do zero para funcionar na recém lançada plataforma da Apple, o Macintosh. 

O desenvolvimento da versão levou alguns meses, e ao concluir Diehl observou que poderia ir mais longe e comercializá-lo. Seus primeiros clientes eram arquitetos, engenheiros civis e pessoas ligados ao ramo da construção civil, e logo ficou claro que o norte do desenvolvimento das futuras versões deveria atender a necessidade deste público inicial.

O MiniCAD teve logo no início versões que atenderam tanto à plataforma da Apple, quanto o Microsoft Windows. Isso o caracterizou como o primeiro aplicativo CAD multiplataforma, além de ser também um dos pioneiros na utilização do BIM.

Neste Link, podemos ler uma entrevista de Richard para a revista caddealer.

Nemetschek e o surgimento do VectorWorks.

A partir do final da década de 1990, a Diehl Graphsoft e adquirida pela Nemetschek Group juntamente com diversas outras tecnologias em desenvolvimento na época, várias delas são reunidas no software que então é rebatizado como VectorWorks, que passa a oferecer uma solução para arquitetura, design, paisagismo e planejamento urbano.

Aqui temos um artigo sobre a aquisição da Nemetschek, na revista Archintosh.

O poder de customização do VectorWorks.

Desde as primeiras versões de VectorWorks, a capacidade de mineração de dados e customização de rotinas é poderosa.

Ele conta com um aplicativo de planilha Eletrônica que permite extrair de maneira totalmente personalizada qualquer conjunto de dados do projeto. (as WorkSheets)

Ainda dispõe de um recurso de programação para otimizar ferramentas, rotinas e objetos, denominado VectorScript, que inicialmente foi uma derivação da linguagem Object Pascal, mas depois fora reescrita para a sintaxe do c++, e atualmente pode também ser codificado em Python.

Design Computacional com a Programação Visual do Marionette.

Na versão VectorWorks 2016, a Nemetschek nos apresentou o recurso Marionette, que criava projetos paramétricos baseado em uma lógica computacional, escrita não mais no formato texto, mas graficamente com blocos de código em formato de “cápsulas” com portas de entrada e saída de dados, que o designer utiliza para estruturar sua parametrização. Veja videos tutoriais sobre este recurso:

O artifício não é necessariamente novo, pois os usuários do modelador Rhinoceros já dispõem de um plugin denominado grasshopper há vários anos, e usuários do Revit podem estruturar sua parametrização com Dynamo, porém, a Nemetschek introduz em uma única aplicação este recurso poderoso.

Literatura Recomendada:

O que vem por aí?

Vimos um pouco da história de alguns dos softwares utilizados na indústria da construção civil mais utilizados no Brasil: ARCHICAD, Revit e VectorWorks.

Todos eles se propõem modelar a informação de uma edificação, ou seja, utilizam a tecnologia BIM.

Contudo, sabemos que cada um deles foi desenvolvido por uma empresa diferente, com linguagens e algoritmos diferentes, e além deles muitos outros softwares de outras disciplinas atuam neste ecossistema, e então nos surge a pergunta: como estes softwares conversam, ou seja, trocam informações entre si sobre o mesmo projeto? Veremos como o OpenBIM resolve esta questão no artigo seguinte! 

Até lá;)


Everton Teles
Arquiteto e Urbanista, reconhece a cidade como a maior invenção humana, e, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, acredita que a tecnologia pode trazer a sustentabilidade tão buscada.