Cidades Inteligentes

As Cidades são a maior invenção da humanidade, dada a complexidade das relações de seus estoques e fluxos, e dos atores que neste palco figuram.

Ao final da segunda década deste primeiro século urbano da sociedade humana, têm-se adensado o uso do termo cidades inteligentes. Este termo pode nos remeter a uma precoce ligação entre a mais complexa criação do homem com o fenômeno da tecnologia da informação que eclodiu entre o final do século passado e início deste, fazendo-nos visualizar um cenário de uma urbe de filmes futuristas, onde tudo é monitorado por câmeras e sensores, e o ser humano atua de uma maneira quase que coadjuvante neste palco.

De certa forma, o quadro imaginado acima não chega a ser absurdo, conquanto entenda-se que o termo cunhado como smart city, do original em inglês, seja uma evolução natural e intuitiva do smart building (onde a TI é de fato o elemento de conexão entre redes de infraestrutura e as necessidades de demanda) , a cidade inteligente também é impossível sem os recursos de tecnologia atuais e os que ainda serão desenvolvidos.

Entretanto, encerrar o tema nesta definição é reduzir demais o seu potencial. As cidades são feitas por e para as pessoas, e uma cidade inteligente deve ter a tecnologia como um meio e não um fim.

As cidades são feitas por e para as pessoas, e uma cidade inteligente deve ter a tecnologia como um meio e não um fim.

O fator inteligência do termo pode ser expandido com o objetivo de proporcionar para os cidadãos a máxima qualidade de vida com o mínimo consumo de recursos, por meio de uma interligação inteligente das redes de infraestrutura como transporte, energia, comunicação, saneamento e etc; Mas sobretudo com o engajamento e a participação da população nos processos decisórios.

Neste âmbito, ruas, estradas e espaços públicos retomam um importante papel na sociedade como pontos de encontro e permanência das pessoas, assistidas pela implantação de redes de sensores e câmeras que poderão otimizar o consumo energético com iluminação pública por exemplo, mantendo níveis de iluminação conforme a presença e circulação de pessoas, ou desviar automaticamente o fluxo de veículos das rotas de acesso e chegadas de pedestres em eventos de médio e grande porte.

Evidente que os custos de automatizar completamente uma cidade estejam fora da realidade da maioria das governanças atualmente, sobretudo em paises ainda subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Mas é neste nstante que a criatividade do poder público pode fazer a diferença.

Com a estratégia certa estabelecemos intervenções pontuais, de maneira que os resultados alcancem o efeito a nível global, por meio do engajamento da coletividade.

Como um exemplo básico supõe-se que em uma etapa de diagnóstico identificou-se que determinado espaço na cidade e subutilizado e abandonado pela população pelo fato de gerar a sensação de insegurança, e neste mesmo diagnóstico viu-se que a iluminação publica à noite é uma das principais causas desta percepção. Uma solução imediatista seria propor a restauração/implementação da iluminação pública; outra um pouco mais elaborada incrementaria a anterior o policiamento do local; Mas, a cidade inteligente vai além, e sabe que o que torna seus espaços seguros e com sensação de segurança é justamente a presença de pessoas, e para isso além da intervenção física (como a melhoria nas condições de iluminação)  deve-se incentivar a utilização dos espaços com atrativos contemporâneos, onde sim, a tecnologia é fundamental, com técnicas como a gameficação, ambientes interativos e realidade aumentada por exemplo. 

Esta apropriação entra numa espiral ascendente, pois pessoas carregam consigo atualmente inúmeros sensores embutidos em smartphones, estas metricas podem ser utilizadas pela municipalidade, desde que consensualmente fornecidas pelo usuário, para auxiliar no plajamento e monitoramento do próprio espaço, consolidando-o como habitável.

Com isso em mente vemos que a cidade inteligente é o locus para o qual converge muitos dos anseios da sociedade, como sustentabilidade, democracia, educação, segurança, mobilidade e redução da desigualdade social. Cabe à sociedade atuar, participar, eleger, cobrar e buscar tornar sua cidade habitável, uma cidade inteligente.

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Everton Teles
Arquiteto e Urbanista, reconhece a cidade como a maior invenção humana, e, para melhorar a qualidade de vida nos centros urbanos, acredita que a tecnologia pode trazer a sustentabilidade tão buscada.